7/16/2012

PARA O RESGATE DA MEMÓRIA DA CIDADE

Floriano - dos anos quarenta aos dias atuais

O Transporte Fluvial no Parnaiba ( Texto de 2008 )

Por - Nelson Oliveira e Silva

Talvez tenha sido nos anos 1920/1930 que se instalou nas águas do rio Parnaiba um dos principais meios de transporte da região, responsável pelo desenvolvimento do Estado e todo o sul do Piauí.

Naquele tempo, as rodovias, além de precárias, eram em número baixíssimo nas distâncias entre as cidades. Por isso, quando o cidadão Francisco Faustino de Lima ( o Chicão ), resolveu estabelecer uma linha deônibus ( gaiola ) entre Teresina e Floriano diante da quase inexistência de estrada, foi obrigado a abrir trechos e mais trechos no espaço, para que o veículo transitasse com limitada segurança. Diante do trabalho desenvolvido em busca do seu objetivo, o senhor Francisco Faustino Lima ( o Chicão ), tornou-se pioneiro no ramo de transporte coletivo entre a Capital e a nossa cidade e que permanece até hoje, através das empresaas Princesa do Sul, Transpiauí e Expresso Floriano, com duas com títulos distintivos em homenagem a Floriano, hoje dirigidas por nete e bisnetos do senhor Chicão, complementando, assim, um trabalho iniciado quase ao mesmo tempo do transporte fluvial,cujos segmentos foram responsáveis diretos pelo desenvolvimento da nossa cidade e, consequentemente, de toda região sul do Estado.

Nos anos já citados, firmas importantes como a Casa Inglesa, Roland Jacob, Moraes, Machado Trindade, todas com matriz em Parnaiba, resolveram instalar filiais em nossa cidade que, junto aos árabes, que já eram estabelecidos aqui, ajudaram no crescimento comercial da cidade, de maneira expressiva. Diante das enormes dificuldades inerentes à questão do transporte, referidas firmas que enviavam mercadorias para suas filiais, faziam uso do transporte fluvial, que consistia de rebocadores ( vapores ou lanchas ), rebocando enormes barcaças, construídas em madeira, cobertas e com paredes de palhas, com grande capacidade de cargas e que no seu interior eram transportadas as mercadorias com destaque o sal, que era distribuído ao longo do trecho Parnaiba-Alto Parnaiba - hoje Alto Parnaiba, em todas as demais cidades ribeirinhas, tendo Floriano como a mais importante, transformando-se num verdadeiro entreposto que recebia também as mercadorias destinadas aos comerciantes de outras cidades do sul do estado, distante da margem do rio e que eram transportados em lombo de burros cargueiros.

Os rebocadores que puxavam as barcaças, rio acima e rio abaixo, possuíam na sua parte superior espaço onde eram alojados os passageiros de cidade a cidade em dias previamente determinados. Dentre os rebocadores que navegavam por aqui, ainda está na nossa mente, os que possuíam os seguintes títulos: Joaquim Cruz, XV de Novembro, Chile, Piauí, Parnaiba, Afonso Nogueira, este fabricado aqui nos anos de 1930 e que adotou o nome do seu criador.

Naqueles tempos, o velho rio, hoje clamando por socorro, diante da agressão do ser humano que o asfixia com a enorme quantidade de lixo e todo tipo de detrito que jogam no seu leito,tornando-o num simples riacho, poossuía altas ribanceiras e que dificultava, de alguma forma, o desembarque das mercadorias que aqui chegavam e que era feito por homens fortes e possuidores de força física suficiente para realizar o trabalho e que eram chamados de "estivadores".

Não existia o Cais. Decorrido um certo tempo, construíram uma rampa, de frente para a avenida João Luiz Ferreira, em pedra lavrada, próximo à Mesa de Rendas - hoje o Terminal Turístico - por onde passaram a ser descarregadas as cargas transportadas, o que exigia um esforço menor dos trabalhadores. Às margens do "Velho Monge", na cidade, eram repletas de frondosas tamarineiras, em cujos troncos as embarcações eram atracadas, espaço que se estendia de onde hoje está o restaurante com o mesmo título, até à altura do prédio onde funcionou a Usina São Francisco.

Para a época, era um movimento intenso, porque, como já foi dito, Floriano tornou-se um entreposto para restribuir as mercadoras para a região sul,muito moroso, contribuiu significativamente, com o desenvolvimento comercial da nossa cidade.

Entretanto, na época, havia outro tipo de embarcação que movimentava ao sabor da água dorio, chamada "balsa". Uma embarcação construída com talos de buriti juntos, amarrados, formando o piso da referida embarcação, coberta de palhas de babaçu, com um fogão de barro para cozinhar os alimentos dos seus tripulantes e os seus passageiros, que porsinal, eram muitos. A balsa era construída já dentro da água, tinha quatro ou cinco metros de comprimento por três de largura e em seguida carregada de todo tipo de produtos: boi, bode, porco, cereais, frutas de todos os tipos e aí era soltada rio abaixo, sob o comando de um mestre e um contra-mestre, que manuseavam os remos colocados na parte dianteira e trazeira da embarcação, que percorria o trecho de Alto Parnaiba ( Maranhão ) a Floriano e Teresina, onde as mercadorias eram vendidas. Como a embarcação não podia retornar, os seus tripulantes retornavam de pé por algum tempo, ou emcarcados nos rebocadores. Chegavam ao seu ponto de origem de pois delongos dias e logo preparavam outra embarcação, para percorrer o trajeto anterior em busca de novos negócios. Era, segundo o que diziam aqueles que faziam parte desse contexto, era uma viagem muito tranquila.

O combustível dos rebocadores e lanchas que rebocavam as grndes barcaças, era na base dalenha, que abastecia as suas caldeiras e impulsionavam as referidas embarcações. O mencionado combustível tinha os seus postos de abastecimento à margem do rio em local previamente combinado, entre fornecedores e os donos dos já mencionados rebocadores.

Esse imenso movimento fluvial no rio Parnaiba, que contribuiu para o desenvolvimento da região, durou, talvez, por 40/50 anos, nos anos 70, com a conclusão da barragem de Boa Esperança que deveria ter concluído a excljusa, que permitiria a manutenção domovimento até os dias de hoje, com absoluto sucesso.

Entretanto, alguns comerciantes do ramo tentaram maner o serviçio, partindo de Guadalupe e que depois de estudos feitos tornou-se inviável por falta de estrutura.

Mas mesmo assim o senhor Alberto Silva, num dos períodos de seu governo teimou, mandando construir duas embarcaç~loes a preço de ouro, entituyladas "Barcas do Sal", que transportariam sal de Parnaiba até Vitória do Alto Parnaiba, ponto final dotrajeto. Rasultado: uma barca do sal, que chegou até Guadaljupe para início da grande trajetória, ao que parece, foi corroída pela ferrugem num ponto qualquer domunicípio, onde está a Usina de Boa Esperança eaí se confirmou a visão sempre desttuída do velho Governador.

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