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PARA O RESGATE DA MEMÓRIA DA CIDADE

FLORIANO - Dos Anos Quarenta aos Dias Atuais

Meios de Comunicação - Amplificadora Florianense

Por - Nelson Oliveira e Silva

Defala Attem
 Com a inauguração do Cine Natal, o primeiro da cidade, em 1937, pelo senhor Bento Leão, mais tarde se tornaria a firma Bento Leão & Cia que, além do cinema, passou a explorar outras atividades, como bar, jogos de sinucas, fábrica de gelo, com energia elétrica própria e, posteriormente, torrefação de café.

A referida firma, além do senhor Bento Leão, tinha outros sócios, salvo engano: Honorato Drumond, Raimundo ( Mundico Spares ) e, depois, Albino Leão, havendo entre eles um grau de parentesco. Com a instalação do cinema, lá pela década de quarenta, eles sentiram a necessidade de instalar um instrumento de divulgasse os filmes e os demais artigos do seu comércio e resolveram, por isso, inaugurar um serviço de altofalante, o qual teve como seu primeiro locutor um cidadão de nome Luciano, originado da cidade de Oeiras, por determinado tempo.

Foi dado à referida amplificadora o título distintivo de " Amplificadora Florianense ", a voz líder  e potente da cidade e possuía um altofalante voltado para a praça Coronel Borges e zona sudoeste da cidade.


Nessa altura dos acontecimentos, com a ida do locutor Luciano para Teresina, assumiu a chefia da mencionada amplificadora o nosso conhecido Defala Attem, de saudosa memória, florianense autêntico e que amava o seu torrão.

Com Defala à sua frente, a amplificadora cresceu, os anúncios apareceram, graças ao seu empenho junto aos comerciantes da época, que o apoiaram firmemente, e aí houve um bom desenvolvimento em toda a sua estrutura.

Os programas eram em número de três, das 08 às 09 da manhã; das 17 às 18 horas, com a apresentação da Ave Maria às 18 horas e, a seguir, a sequência com " MELODIAS QUE O TEMPO NÃO APAGOU ", na qual era apresentado em cada dia um cantor de renome nacional, como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Francisco Alves, Gilberto Alves, entre outros.

Durante o tempo do mencionado programa, pessoas apreciadoras da boa música espalhavam-se ao longo da avenida Getúlio Vargas e na praça doutor Sebastião Martins e que se estendia até às 18:30, voltando após a primeira sessão, prosseguindo até às 20:30 horas, na segunda sessão do cinema.

Nos anos cinquenta, surgiram outros serviços de altofalantes, como os da Casa Bringel e o do Cine Itapoã e, muito tempo depois, o do Pedro de Alcântara, que tinha o seu estúdio instalado na rua Areolino de Abreu.

Esses serviços, porém, nunca tolhiram os passos da velha florianense que, somente por volta dos anos 56 / 57, conseguiram calar sua voz, com a chegada da Rádio Difusora de Floriano, alegando os " chefes " políticos da época, que não poderia haver a uma distância de 100 metros um outro estúdio, no caso da amplificadora, na deistância acima, que é exatamente aquela da avenida Getúlio Vargas até a rua São Pedro, onde se instalou a referida emissora.

Houve uma certa resistência por parte dos outros
" chefes " políticos, que foram sufocados pelos primeiros e aí a velha amplificadora se calou.

Posteriormente, já em outra atividade, vítima de um acidente automobilístico, nas proximinades da cidade de São João dos Patos, aí foi a vez da voz do velho Defala se calar.




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