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PARA O RESGATE DA MEMÓRIA DA CIDADE



NO MUNDO DA EDUCAÇÃO E CULTURA

ESCOLA NORMAL MUNICIPAL DE FLORIANO I

Das Memórias do Professor Djalma Silva ( transcrito do Jornal de Floriano, edição de nº 428 de 28/04 a 03/05/1985 ).

Notas explicativas: Nelson Oliveira

1929 foi um ano excepcional para a educação em Floriano. Além do Grupo Escolar Agrônomo Parentes, foi fundado o Liceu Municipal Florianense e anexo a ele a Escola Normal Municipal de Floriano. Estabelecimentos que a cidade deveu a uma plêiade de homens de escola entre os quais doutor Osvaldo da Costa e Silva, doutor Teodoro Ferreira Sobral, doutor José Messias Cavalcante, com o apoio do Deputado Estadual doutor José Puíres de Lima Rebelo.

À época, caracterizava-se por um extremo elitismo na educação que se traduzia principalmente no excesso de cautela e exigência e exigências com que as autoridades procuravam cercar a instalação de escolas. E o Liceu Florianense não pôde ter vida longa. Em 1932, após a frustração e desastres, como bem expressou o doutor Osvaldo da Costa e Silva, em uma entrevista concedida à revista ZODÍACO dos alunos do Ginásio Demóstenes Avelino de Teresina, encerrou suas atividades.

O pretexto para o fechamento compulsório dói a deficiência de gabinete de física e química. Esse gabinete deficiente para os técnicos do Ministério da Educação e Saúde eu conheci. Ocupava toda uma sala. E comparando com os laboratórios dos estabelecimentos de hoje, que os possuem, era, sem dúvida, riquíssimo.

Mas fechado o Liceu, a Escola Normal continuou. E foi por muitos anos o único estabelecimento de ensino pós primário com que puderam contar os jovens florianenses que desejavam continuar seus estudos e não tinham recursos para estudar fora.

Escola voltada para a formação de professores primários, isolada, sem qualquer vínculo com o curso superior, tinha de fazer exame de admissão e entrar na primeira série.

Além disso, escola incompleta. Dos cinco anos que constituía o curso normal, propriamente dito, ministrava as três primeiras séries, devendo aqueles que quisessem diplomar-se ir para Teresina.

Cursei a Escola Normal Municipal de Floriano em 1934 a 1937 e a ela sumamente por me ter possibilitado continuar meus estudos há dois anos interrompidos por falta de recursos para ir estudar em outras plagas, e por ter me proporcionado o encontro com uma profissão que tem sido a razão de ser da minha vida.

Primeiro, fazia-se um curso propedêntico de dois anos, anexos a escola, o curso de adaptação. Este curso eu o fiz de 1934 para 1935. Minha classe era mais ou menos numerosa. A maioria, mulheres. Entre colegas, recordo-me: Maria da Costa Ramos ( 1 ), Judith Martins ( 2 ), Zuleika Santana, Hildenê Silva, Helena Reis, Assibe Bucar ( 2 ), Amália Nunes ( 3 ), Maria Lilita Vieira, Maria da Penha Sá, Olavo Freitas, Heli Rodrigues, Horácio Vieira da Rocha, Américo de Castro Matos, Milton Chaves ( 4 ), Raimundo Noleto e Joaquim Lustosa ( 5 ).

Na vigilância estava dona Carmosina Batista, muito dedicada, mas fiel cumpridora das ordens emanadas da direção da Escola. No intervalo das aulas os alunos tendiam conversar descontraídamente. Dona Carmosina, bradava: “ silêncio! “ E se alguns se excedia nas atitudes ela ameaçava: “ vou dar parte ao Diretor! “

E dava mesmo. E o denunciado podia, conforme a falta, pegar uma simples repreensão ou logo uma suspensão.

Eu, não obstante pacato, fui denunciado por duas vezes. Na primeira, a diretoria me repreendeu e advertiu: “ não faça outra! “ Mas acabei fazendo.

Em conluio com Olavo Melo e Milton Chaves. Não me lembro o que fizemos. Sei que não foi coisa grave. Porém, como éramos reincidentes ou já tínhamos sido repreendidos, pegamos três dias úteis de suspensão.

Dos professores que recordo, doutor Manoel Sobral Neto ( 6 ), também diretor, que lecionava francês; doutor Rodrigues Vieira, que lecionava Geografia; Alceu do Amarante Brandão, que lecionava português; Dalva Nascimento, que lecionava aritmética e parece-me que ciência.

O curso de Adaptação era previsto para dois anos. No fim do primeiro foi nos facultado aproveitar o período de férias para fazer as disciplinas do segundo ano, de sorte que em 1935 os aprovados puderam matricular-se no primeiro ano do curso normal.

NOTAS EXPLICATIVAS:

  1. Filha do senhor Ramos, antigo funcionário da extinta Farmácia Sobral, onde prestava serviços de manipulação de remédios, emérito aplicador de injeções;
  2. Irmã do senhor Arudá Bucar, tia da Elza, Elda, Carlos e outros;
  3. Funcionária dos correios e telégrafos nas décadas de 50 e 60, tendo morado na residência da senhora Conceição Leão por muitos anos e era parenta do coronel Autino Nunes;
  4. Cunhado do senhor José Cronemberger dos Reis, tio de Antonio Reis Neto, Airton e outros. Formou-se em direito, chegando ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí;
  5. Casado em primeiras núpcias com a senhora Altair Nogueira e em segunda com a doutora Afonsina, ambas filhas do senhor Afonso de Macedo Nogueira empresário do ramo de transporte fluvial. O doutor Joaquim Lustosa foi deputado federal pelo Piauí na década de 60, eleito pela UDN. Era advogado.


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