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TRAVESSIAS


Lembro-me, perfeitamente, daquelas famosas travessias e descidas que fazíamos no rio Parnaíba. Muitas vezes, lá do Pateta até chegarmos ao cais do porto. Época romântica. Claro, que não sabíamos do risco que corríamos, mas éramos felizes, literalmente.

Certa vez, eu, Fernando de Né Santo, Chico Lista, Paulo Babá, Pateta, Alvinho, Kebinha, Deda, nego Dunga, Luiz Banana, Chico Pipira, Laurismar, Seudu, Leomar, Cebola, Chiquinho de Turene, um verdadeiro time de futebol -, apanhamos umas bananeiras e zarpamos do posto do professor Ribamar Leal, ali, próximo ao antigo Buraco da Malária. O mês de julho era de um sol extremamente escaldante. O nosso amigo Zé Rubal era só o breu em suas famosas pescarias.

Quando aportamos nas imediações do cais do porto, nas proximidades do remanso, começamos a dar braçadas fortes para sairmos daquele sufoco. Queríamos atingir as coroas, aquelas belas praias do Barão, para jogarmos um futebolzinho de primeira.

Deixa, porém, que seu Cícero Pintor fora avisado de que seu filho Chico Lista estava participando daquela nossa travessia, estava no meio da curriola e ficara escondido em volta do pontão de Pedro Caetano, esperando o traquinas voltar com um pedaço de corda de seden enrolada na mão, para dar uma sova daquelas, vocês sabem.

No entanto, Chico Lista, arguto que só, percebendo o perigo que corria e o que iria acontecer, deu um drible no velho Pintor e correra feito um doido no rumo de sua casa e fora esconder-se no fundo do quintal e só saiu de lá quando as lamparinas de dona Hilda já estavam acesas para dormir.

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