6/26/2007

FLORIANO - 100 ANOS ( REPRISE )

UMA HOMENAGEM AOS 100 ANOS DE FLORIANO”

* Por: Francisco Sobrinho Amorim de Araújo

“REPRISE”

Floriano, princesa querida, deixa que busque o teu passado, para reviver um pouco da tua gente, da tua cultura e do teu solo, nos 100 anos de tua existência e nos meus 50 anos de vida. Floriano, cidade progresso do meu Piauí, cidade colônia dos meus avós. Salve... Salve... Foi precisamente no dia 2 de março de 1947, que cheguei ao nosso mundo, alí na Avenida Eurípedes de Aguiar, próximo do hospital e lá vivi a minha infância e adolescência. A tua lembrança é permanente, meu amor por ti é eterno, pois Deus permitiu que ainda adolescente, enterrasse o meu umbigo, lá no Ban­deira-518, hoje Avenida Bucar Neto.

Floriano, sei que muitas coisas boas desapareceram em nome do progresso, mas pode ser que o espírito de preservação desperte na tua juventude, pois a cultura de um povo nobre como o teu não pode ser desprezada, principalmente tuas riquezas naturais. O mundo hoje se preocupa com o desenvolvimento, mas não devemos esquecer, que o desenvolvimento seguro, é o economicamente sustentável e ecologica­mente preservado.

Cadê o teu folclore... Vejamos: O “Reisado do Miguel”; o “Bumba Meu Boi”, do curral; as “Rodas de São Gonçalo, de São Benedito e do Rei Congo” , do Catumbí ; as “Pastorinhas” , de Sádonna e de Rosa de Tia Bela, lá do campo do Artista; o “Bumba Meu Boi”, do Luiz Tê - Tê -Tê, lá da cancela; E os teus festejos de: “São Pedro D`Alcantara”, com suas barraquinhas ; do “Tabuleiro do Mato”; de “Nossa Senhora da Guia”; de “São João Batista”, lá no Morro da Cruz comandados por minha querida Mãe Noemi; das “Festas de 1º de Maio”, onde as caravanas de Operários/Artistas vinham de Oeiras para participar das tuas festividades solidificando uma união entre os POVOS FLORIANENSES/OEIRENSES, que perduram até hoje, lembro-me das caravanas, comandadas por Raimundinho de Zefinha ( 90 anos e no batente ) , Srs. João Matos, Cícero Cego, Lucí e Teresa Guarda, Dona e Maria Eva, Josefa Crioula, Arlindo Carneiro, Neusa Rêgo e os irmãos: Silvério, Dico e Cabeceira, e muito outros, era tudo muito bonito, os operários de Floriano hospedava-os em suas residências e eram retribuídos, quando iam participar de festividades em Oeiras, lembro-me de Srs. como Tuna e Anísio Cansanção, Luiz Pinto, Jaime Lima, Zezinho Rocha, Vicente Kangurí, Zé Luiz, Zé Borges, as irmãs: Aneci, Cecilia e Maria Dias e ou­tros, que recebiam as caravanas de Oeiras.

E as tuas belezas naturais, Hein! Floriano. Recordo-me do: Riacho da Onça, com seus “olhos d`agua”, no seu percurso urbano e com suas águas caudalosas, em dia de enxurradas; do Riacho Irapuá; do Riacho de Vereda Grande, com seus escorregas - bundas e as lavadeiras em suas margens: do Açude Mário Bezerra; do Olho D’água e do Açude do Bom Lugar; do Riacho Itaueira; do Rio Parnaíba com seus famosos Piaus e suas lindas coroas, no mês de julho, propiciando os banhos , no caís, no bosque, no curtume e as pescarias, como era lindo vê as margens do Velho Monge, com suas Balsas de Talo de Coco e de Buriti, carregadas de Frutas e os Vapores ( barcos ) dos Srs. Afonso Nogueira e Maia, apitando.......Ali do cai N´água até o caís.

Que saudades!.....Do Escurador, da Pedra de Mesa e do Binga, Alí no Catumbí. Ah! Floriano... Recordar é viver, deixa que viva os teus 100 anos, recordando-te: E as Quintas de Caju do Padre Pedro e do Sr. Tiago Roque; do Campo do Artista; do Campinho do Sr. João Justino; da Praça do Cruzeiro, com suas Barraquinhas; da Areia Branca da Manguinha, onde o Zinidor Chicão, armava-se com um porrete ( jucá ) e dava seus esturros, enfrentava quem se atrevesse a incomoda-lo e não abria para meia dúzia de soldados da Polícia, era o Rei; das matas nativas da Sambaíba, onde imperava, as frutícolas, Maria Prêta, Muricí e Grão de Galo; E as paqueras na praça Sebastião Martins; dos Cines: Natal e Itapoan, e seus filmes com Durango Kidd, Randolf Scott, Errol Flyn, Tarzan, Zorro, Jonh Wayne, Audie Murphy e outros ; dos Bares: Bento Leão com suas sinucas e cassino, do Café Ideal, da Cubana, do Sertã, Quiosque Rosa de Ouro, do Bar do Bio, etc.

Permita-me recordar a tua gente, esta gente, que de alguma forma contribuiu para o teu des­envolvimento e faz a tua história nos 100 anos. Lembro-me do Dr. Raiz, com suas raízes milagrosas; das presepadas do BRIANTELO; das trombadas do JOÃO N’AMBU ; das doidices do NÊGO CAFÉ ; dos xingamentos da MARIA PIRANHA ; da performance do TARONE, com sua bicicleta e suas vestimentas; das brigas de NÊGO PIO; das mulheres do LAGEIRO ; dos cabarés: Maria Amélia, Ditosa, Constancia, Ping-Pong, Quitandinha, Pau não cessa ; do dia do Estudante ; do Guaraná e Vinho Moscatel do SR. ARTHUR ANDRADE e o seu Jeep Inglês ; da Fubica do CHICO REIS. Quem não se lembra : dos bolos e cocadas de D. LUÍZA BOLEIRA, de D. RITA do ZÉ BORGES, de D. CHIQUINHA e D. MADALENA, lá do Bandeira ; dos Pirulitos do Sr. JOAQUIM ; das Rapaduras do Sr. ANTONIO CEARENSE ; do CHÁ-DE-BURRO, lá no mercado velho ; do cuscuz de D. Emília (feito na hora ); do sanfoneiro DÃO JOÃO, dos poetas Samuel e Rafael ; das missas de 5:00hs celebrada pelo Padre Pedro; do Coral de D. Filó Soares; dos educadores : Neném Preá, Sr. Firmino e Sr. Luizinho ; do carnavalesco Antônio Sobrinho; do Ferroviário e Comercio Esporte Clube ; do Antônio Velho, o coveiro da cidade , dos Enfermeiros: Damião, Melquíades, Anísio, Germina, Edína e Antônio II ( este ajudava médico a operar ) ; da D. Mundica da farmácia ; dos Farmacêuticos: Dr. Amílcar Sobral, Dr. Rocha e Abílio Coelho; dos Médicos: Dr. Sebastião Martins. Dr. Tibério Nunes, Dr. Cícero Rocha, Dr. Humberto Demes, Dr. Adelmar Pereira, Dr.Ariosto Martins, Dr. Osvaldo Costa e Silva; Recordo-me dos grandes Alfaiates, os artistas da régua, do compasso e do esquadro, que souberam vestir o Florianense, por muitas décadas, são eles: Zezinho Rocha, Vicente Kangurí ( meu inesquecível pai ) , Zé Luiz, Lulu, Motinha, Luizinho e outros; os Barbeiros: Zé Venancio, Zé de Candinha, Sr. Vila, Simeão e João Barbeiro; do pai Lulu, lá do via azul; do Juiz Carlos Ferraz com sua conduta inabalável; e o Povo Sírio, que tí abraçou como a 2º Pátria, fez, faz e muito fará pelo teu progresso: Srs. Salomão Mazuad, Salomão Barguil, Michel Demes, Calisto Lobo, Milad Kalume, Elias Oka, Pedro Attem, Aruda Bucar, Fauzer Bucar, Alfredo Gaze, Zarur, Jan Waquim, Hassan, Mazuad, Cabo Salim, Mifler, Brarrim, Bucar Amado, Carlos Bucar, Jamil, Pedro Attem Filho, Defala Attem, João Alfredo Gaze, João Lobo, Calisto Lobo Filho e muitos outros.

Recordo ainda das: Tertúlias do Floriano Club; das Retretas da Banda do Mestre Eugênio(e o som do trombone do mestre Ambrósio, clarinete do Edgar Pereira e o pistom do João Paulo); da Moral do Major Carlindo ; dos carnavais de Lourival Xavier, fiscal do Banco do Brasil ; das valentias e das “Histórias” do meu amigo Antônio José Cara-Ôlho; do senhor Luis Ourives; do Sr. Abdias Pereira com sua Padaria Recife ; da voz empolgante do Defala Attem, com sua Amplificadora de Floriano, das crônicas sociais de Graça Costa e Silva, na Rádio Difusora, com sua voz pausada e cativante; do Grupo Escolar Ribeiro Gonçalves e do Ginásio Estadual Monsenhor Lindolfo Uchôa; do grande educador, íntegro, sério, disciplinador, Braulino Duque de França; dos mestres que muito fizeram pela educação do teu povo: Dr. Sobral Neto, D. Raimundinha Carvalho, Noemi Melo, Ribamar Leal, Francisquinha Silva, Maria da Penha, Eva Macedo, Teresa Chaib, Ivonildes Castro, Onélia Martins, Enedina Castro, D. Jovina Mendes, Risomar Mendes, Francisca Gomes, Lourdinha Viana, D. Moema, Duzito e etc. ;

Deixa que eu sinta saudades dos colegas e amigos: Selvu, Leto, Miguel, Leitim, Pedro, Zé Amancio, Vicente Cabeção, Cruz, Peito de Vaca, Luiz Bogó, Janjão, Chiquinho, Nego Cleber, Júnior, César, Jusmar, Chicolé, Valdir, Guido, Adeval, Adevan, Zé Afonso, Boi Manso, Pitombeira, Franzé, Raimundo Bonfim, Antônino, Manoel Saraiva, Chicão, Chico Mendes, Zé Mendes, Nestor Guerra, João Luiz, Toínho, Luiz Pereira, Porca Preta, Gilberto, Poncion, muitos hoje continuam participando ativamente da tua história.

O destino pregou-me uma peça interessante nos meus 50 anos de vida: Comecei a trabalhar com 8 anos de idade, na Tipografia do Jornalista Andocildes Lemos, tendo como instrutores, os mestres Edgar Pereira, Deusdete Carvalho, Gil Torres, Iran e Mitonho, e hoje a minha residência está situada a Rua Alberone Lemos, que era irmão do meu primeiro patrão e também Jornalista. Coisas do Destino.

Finalizo, desejando a tí Floriano, e ao nosso povo, muitas alegrias, paz e prosperidade e que os teus futuros Governantes, lutem para que teus 200 anos sejam comemorados , como a Rainha do Sul Piauiense.

* Francisco Sobrinho Amorim de Araújo, Florianense e Engenheiro Agrônomo.
.
P.S. – Publicado nos Jornais: Diário do Povo, Meio – Norte, O Dia e Correio do Piauí. Quando do Aniversário dos 100 anos de Floriano e reprisado agora atendendo pedidos.

4 comentários:

Salomão disse...

Olá, Janclerques!
Fico sempre feliz com textos florianófilos! É uma beleza que Floriano está deixando de ser "a cidade do já teve" e transformando-se na "cidade do está tendo"... Estamos conseguindo muitas conquistas em todos os campos (saúde, educação, até segurança!).
Muitos filhos de Floriano estão retornando formados, abrindo clínicas, escritórios, laboratórios, oferecendo serviços... Outros tantos estão no serviço público literalmente fazendo uma "glasnost" e uma "perestróika" em muitas áreas...
Viva Floriano! Tenho muita fé no seu renascimento, pois a Princesa é uma Fênix!
Abração a todos os leitores!
Salomão Oka

Antonio Rolim disse...

Olá Francisco Sobrinho Amorim de Araujo!
Hoje vc me fez relembrar meus tempos...saudades, acho que fui dos citados em tuas lembranças, joguei futebol com todos aqueles mencionados. Estudei o 1º ginasial no Santa Terezinha, o 2º no 1º de Maio, já o 3º foi em Belem/PA, mas o 4º foi no Monsenhor Lindolfo Uchoa. Como colegas: Adovaldo, José Alberto Padilha, Ciço Pantera, como inspetor o Poncion, diretor Dr. Braulino.
Não posso deixar de lembrar que eu tinha dois times de futebol, o Gaucho(que era para os menores) e o São Paulo, os nomes destes times surgiram quando compramos as camisas, pois é o que veio impresso. Se não me engano o Cesar a que se refere é hoje militar do exército, instrutor de mergulho, e foi ele que brevetou meus filhos no mergulho autônomo. Eu sou o Toinho (Antonio Rolim) constituí familia no R. de Janeiro, onde exerço advocacia (rolim@adv.oabrj.org.br) Abraço a todos. Saudades. Já levei minha família pra conhecer nossa Princesa.

Antonio Rolim disse...

Olá Francisco Sobrinho Amorim de Araujo!
Hoje vc me fez relembrar meus tempos...saudades, acho que fui dos citados em tuas lembranças, joguei futebol com todos aqueles mencionados. Estudei o 1º ginasial no Santa Terezinha, o 2º no 1º de Maio, já o 3º foi em Belem/PA, mas o 4º foi no Monsenhor Lindolfo Uchoa. Como colegas: Adovaldo, José Alberto Padilha, Ciço Pantera, como inspetor o Poncion, diretor Dr. Braulino.
Não posso deixar de lembrar que eu tinha dois times de futebol, o Gaucho(que era para os menores) e o São Paulo, os nomes destes times surgiram quando compramos as camisas, pois é o que veio impresso. Se não me engano o Cesar a que se refere é hoje militar do exército, instrutor de mergulho, e foi ele que brevetou meus filhos no mergulho autônomo. Eu sou o Toinho (Antonio Rolim) constituí familia no R. de Janeiro, onde exerço advocacia (rolim@adv.oabrj.org.br) Abraço a todos. Saudades. Já levei minha família pra conhecer nossa Princesa.

Antonio Rolim disse...

Olá Francisco Sobrinho Amorim de Araujo!
Hoje vc me fez relembrar meus tempos...saudades, acho que fui dos citados em tuas lembranças, joguei futebol com todos aqueles mencionados. Estudei o 1º ginasial no Santa Terezinha, o 2º no 1º de Maio, já o 3º foi em Belem/PA, mas o 4º foi no Monsenhor Lindolfo Uchoa. Como colegas: Adovaldo, José Alberto Padilha, Ciço Pantera, como inspetor o Poncion, diretor Dr. Braulino.
Não posso deixar de lembrar que eu tinha dois times de futebol, o Gaucho(que era para os menores) e o São Paulo, os nomes destes times surgiram quando compramos as camisas, pois é o que veio impresso. Se não me engano o Cesar a que se refere é hoje militar do exército, instrutor de mergulho, e foi ele que brevetou meus filhos no mergulho autônomo. Eu sou o Toinho (Antonio Rolim) constituí familia no R. de Janeiro, onde exerço advocacia (rolim@adv.oabrj.org.br) Abraço a todos. Saudades. Já levei minha família pra conhecer nossa Princesa.