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Histórias do nosso futebol

 SURGIMENTO DO TIME DE FUTEBOL “O GAÚCHO”

 Fonte: Antonio Rolim (Advogado)
No ano de 1.963, tinha chegado de Belém/PA, onde fiz o terceiro ano ginasial, retornei a Floriano/PI para concluir no Ginásio Estadual Monsenhor Lindolfo Uchoa.
Sempre gostei de futebol, até hoje, entretanto, nos colégios da época não tinham áreas compatíveis para tal esporte, e a molecada se divertia em alguns campinhos de praças públicas ou até mesmo nas ruas de areias, mas eram verdadeiras areias de praias as ruas sem calçamento.
Talvez fosse mais adequado chamarmos o que é hoje intitulado futebol praia ou de areia.
Ora, se não tínhamos locais adequados para jogar, tampouco poderíamos formar um time que se tornasse uma equipe unida e ter sempre os mesmos jogadores nesse time, era sempre uma pelada onde o dono da bola tinha que jogar e escolhia, de saída, o melhor jogador dentre os presentes, para o seu time, em seguida o adversário escolhia outro e aí sucessivamente, até formarem os time seja 5, 8, 10 ou até 11 elementos de cada lado, sim era assim mesmo, que fosse “inimigo” do dono da bola não jogava no time dele.
Foi com a ideia de formar uma equipe que progredisse, que nos juntamos, eu; Chiquinho; Janjão (sempre muito atuante, apesar da idade), Boi Búfalo, Cleber (ou Kleber), Padilha (era muito tímido), Antonio (gostava de ser goleiro – morava na Rua S. João), foram estes os precursores.
Comprávamos figurinhas de álbuns, em um quiosque que revistas que tinha na praça, montamos álbuns para ganhar a bola, porém sempre faltava a figurinha difícil e um dia criei o maior fuzuê, fiz o jornaleiro abrir envelopes para achar a tal figurinha, se ele encontrasse a figurinha difícil eu pagaria por todas, caso contrário eu levaria a bola, ele preferiu nos entregar a bola sem necessidade de comprar mais envelopes, foi uma alegria só.
Fomos comprar as camisas, em uma loja pequena que ficava atrás da igreja, era de uma senhora “Carcamano”, não lembro o nome, sei que era em frente onde se alugava bicicletas, a senhora mostrou vários modelos e tipos, mas o Janjão gostou da camisa amarela com a estampa de um gaúcho em um cavalo laçando um touro, ele adorou, de pronto todos ali concordaram, principalmente pelo preço que era o que tínhamos para pagar, mas teve um problema, para o tamanho do Janjão e o Puluca estava ótima, mas para os maiores ficaram curtas, mas ninguém reclamou, o importante era estar uniformizado.
Mas meu irmão Normando, amigo do Tiberinho, arranjaram também um jeito e compraram um jogo de camisas do Palmeiras (sempre achei que foi do S. Paulo), e assim eles também fundaram um time, meu irmão não era fanático, e logo acabou.
Montamos um time Toinho (eu goleiro) Boi Búfalo; Galo Cego; Vicente (vendia pirulito, filho de DONANA); Chico da Corina (nem sempre podia ir); Puluca; Janjão; Chicolé; Antonio (Tonho da Rua São João) o craque Chiquinho, dentre tantos outros que falta lembrança.
Com esse time alcançamos muitas vitórias e alegrias, jogávamos em Barão de Grajaú, no campo do Comercial, Ferroviário, enfrentamos time de Picos de alguns colégios, sempre muito unidos.
Ao final dos jogos íamos cantando pelas ruas: “É canja, é canja, é cajá de galinha, arranja outro time pra jogar com nossa linha” e por aí íamos despejando alegrias por onde passávamos, às vezes tomávamos banho no Parnaíba - Velho Monge – e após o Antonio e outros seguis até minha casa para ler as Revistas em Quadrinhos, tais como Tarzan; Bill Kid, Búfalo Bill, Gene Austri e tantos outros que eu colecionava, eram muitos gibis, fora a coleção de Monteiro Lobato.
Nesse período falávamos do jogo, que errou, quem acertou, sempre se perguntava e exigia que o Boi Búfalo tinha que ser o beque de espera (hoje líbero), era mantido o ponta esquerda e ponta direita (Chicolé e Chiquinho – que era fã de Garrincha) já Janjão era o Pelé, o Puluca centro avante e Galo Cego é o que hoje é volante à frente do líbero, era arrumado – dava certo.
Acabou, eu acho, vim para o Rio, fiquei, joguei pelada na Portuguesa (da Ilha do Governador), depois em time do antigo futebol de salão, fui goleiro da empresa em que trabalhei, que também fundei, a empresa tinha diversas filiais no Brasil, bancava tudo, fomos campeões seguidamente, saí de lá e aí.... Acabou também.
Hoje relembro os momentos, como vivemos bem nossa adolescência, pegando passarinhos na mata, bebendo água de riachos puros, pegando frutas silvestres; cajus e mangas dos outros também.
Redijo meus trabalhos como petições; contestações; pareceres, etc. como se estivesse driblando um adversário ou defendendo um pênalti, simples assim.
Valeu
Rio de Janeiro, 29/10/2024

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