Artigo: Jalinson Rodrigues - poeta e jornalista
O carnaval florianense mantém a tradição de crescimento e conquista importância econômica na geração de oportunidade de renda. Na foto ao lado, flagrante de dois grandes carnavalescos do carnaval romântico de Floriano: Carlos Pechincha e Clovis Ramos.
O carnaval florianense mantém a tradição de crescimento e conquista importância econômica na geração de oportunidade de renda. Na foto ao lado, flagrante de dois grandes carnavalescos do carnaval romântico de Floriano: Carlos Pechincha e Clovis Ramos.
O
carnaval em Floriano sempre foi frenético, alegre e convidativo. Em
todas as épocas conquistou posição de destaque entre as folias do Piauí.
Com o passar dos anos se tornou referência para os roteiros de viagens
de muitos brasileiros.
A
história do carnaval é a saga da alegria. Este período de festas
profanas existe desde o mundo cristão medieval. Nos primórdios, iniciava
geralmente no dia de Reis e se estendia até a quarta-feira de cinzas,
data que começavam os jejuns da Quaresma. Eram manifestações pela
liberdade de atitudes críticas e eróticas. Outra origem para o carnaval
está há mais de 2000 anos, quando na Europa, no mês de março, era
comemorada a chegada de bons tempos para a agricultura. Como festa
popular, o carnaval não tem uma origem exclusiva e durante a sua
existência passou por muitas inovações.
As
primeiras festas com características de carnaval, no Brasil,
aconteceram no período colonial e foram chamadas de enduro. Era uma
brincadeira grosseira, com a finalidade de atirar baldes d’água,
misturas de bebidas, pó de cal e farinha entre os participantes. Este
formato de carnaval agressivo estimulou as festas de salão, por volta de
1840, inspiradas nos bailes de mascaras europeus. Neste cenário surgem
os confetes, rodelinhas multicores de papel, que atirados entre foliões
representavam amabilidade e galanteio. Com a miscigenação étnica e a
formação de uma cultura plural, o carnaval no Brasil escreve uma
história com diferenças regionais.
Em
Floriano, no Piauí, o surgimento do carnaval foi assim também:
manifestações de rua, festas privadas, depois bailes em clubes. A
expressão carnavalesca do florianense é tão histórica que em 1940 o
bloco “Os Águias” participava da festa tocando pelas ruas marchinhas,
com percussão e violão. Na década de 1960 o bloco “Os Malandros” teve
bastante destaque com seus entrosados passistas e sambistas. Nas décadas
seguintes, 70 e 80, foi mantida a efervescência da nossa folia de rua.
Os imemoráveis bailes aconteciam no Comércio Esporte Clube, Floriano
Clube e, posteriormente, também na AABB. Existia neste período o Bloco
dos Sujos, que mesclava algumas características do enduro colonial com o
carnaval moderno de flertes e paixões. Era um carnaval tão simples:
bastava uma velha camisa, um calção e um tênis “já sambado”. A festa
estava feita e o Reino de Momo instalado.
Nesta
evolução de ritmos e ritos consumistas, os blocos se transformam em
escolas de samba. Atualmente vivemos o carnaval das massas, quando
milhares de pessoas ocupam a cidade gerando, assim, o turismo de
eventos. A chegada dos blocos, com trios elétricos, difundindo a música
baiana “axé music”, nos anos de 1990, trouxe para a nossa festa o folião
turista.
O
carnaval florianense mantém a tradição de crescimento e conquista
importância econômica na geração de oportunidade de renda. São cinco
dias de festa na maior tranqüilidade. Neste cenário, o Rio Parnaíba tem
fundamental destaque. Possuímos ainda infra-estrutura limitada para uma
atividade industrial do carnaval. Na minha singela opinião, as agências
governamentais tratam o turismo como uma agenda de eventos e esquecem a
qualidade de vida de quem vai chegar e de quem mora no local.
Na
trajetória do carnaval daqui, a hospitalidade da cidade é marca
registrada. Muitos jovens e famílias de florianenses, que residem em
outras cidades, planejam as férias para Floriano no período do carnaval,
oportunidade para encontros de gerações.
Contudo, o carnaval é a grande folia popular do florianense. É uma festa sem dono.