5/30/2009

PARA O RESGATE DA MEMÓRIA DA CIDADE

PESQUISA – NELSON OLIVEIRA

ELES – ZÉ CABORÉ E JOÃO GUERRA

TEXTO – RAFAEL DA FONSECA ROCHA

Existem, nos diversos setores da vida, dentro das mais variadas atividades humanas, indivíduos que, por suas formações conseguem servir bem e com destaque as suas comunidades, indiferentes das compensações materiais.

Em Floriano, alguns abnegados elementos, nas suas profissões, deram o máximo de esforços em benefício de todas as classes sociais da população.

Ínfimos eram os ganhos profissionais; entretanto, cônscios das suas responsabilidades, eles, exaustos pelas energias gastas nos horários normais de trabalho, não se negavam em ocasiões de dores e divertimento em colaborar com aqueles que os procuravam.

José da Costa Oliveira ( o Zé Caboré ), casado com dona Josina Castro, pai de Raimundo da Costa Oliveira ( o Raimundinho Caboré ), proprietário de um táxi aéreo em nossa cidade na década de sessenta, e que morreu num trágico acidente aéreo ocorrido no estado de Pernambuco; e de Josfina da Costa Oliveira, professora que, ao contrair matrimônio, mudou-se para a cidade de Paraibano, no Maranhão. A família residia na rua Fernando Drumond, numa casa antes da do seu Elias Oka.

João Guerra, casado com dona Maria Clinaura, pai, dentre outros, do conhecido Carlos Pechincha, este residente em Brasília, que anualmente está presente ao carnaval da nossa cidade. Seu João Guerra morou até a sua morte numa casa situada à rua José Coriolano, onde continua residindo a sua esposa dona Maria Clinaura, gozando de perfeita saúde, até o dia em que redigimos esse quadro em 23 / 01 / 2008.

Zé Caboré e João Guerra, unidos, cuidavam com esmero e dedicação da nossa usina que fornecia luz a cidade e era de propriedade do município. Amavam, aquela usina e aquela velha máquina e, dentro de seus limites técnicos, tudo faziam para mantê-la limpa e em impecável funcionamento. Quantas horas extras, sem remuneração. Zé Caboré fez em noites seguidas. Cidadão consciente, estando sempre pronto a atender os diversos seguimentos da sociedade, oferecendo, em qualquer instante, o melhor da sua indispensável dedicação. Fora do seu trabalho, nos limitados momentos de folga, ele, dono de um automóvel dos anos 20 / 30, o transformou numa camioneta com carroceria de madeira e fazia uma linha Floriano / Jerumenha, transportando passageiros e cargas entre as duas cidades.

Além disso tudo, ele mantinha, ligada a sua casa, uma oficina de ferreiro, onde trabalhava o conhecido Aluísio Ferreira, pai do competente encanador Vitorino e em cuja oficina era mantida uma fundição de peças metálicas e que também tinha a capacidade do Zé Caboré.

Aluísio Ferreira, cria do nosso focalizado, dedicado operário de sua arte, era líder operário e fazia parte dos quadros de sócios da União Artística Operária Florianense, onde fez parte, em inúmeras oportunidades, de sua administração.

João Guerra, já com o corpo curvado pelos anos, carregava, lentamente, em seus ombros, horas após horas, por todos os recantos da cidade, a incômoda escada, uma constante companheira, para manter em situação de bom funcionamento, a rede de iluminação pública, sustentada por postes de madeira, de preferência aroeira.

Atencioso e educado, como era o povo daquela época distante, era, nas horas vagas, o único eletricista para os reparos das instalações particulares. Somente muito tempo depois, João Guerra conseguiu um auxiliar de nome Lourival, criado por dona Cisa, proprietária de uma pensão na praça coronel Borges, próxima à casa do seu Milad Kalume e que também fabricava uns saborosos pães sovados, bastante procurados. Lourival, como João Guerra, era alegre ( bom carnavalesco ), educado e atencioso.

Naquele tempo, embora a demanda ainda fosse pequena, pelo tamanho da cidade, trabalho era intenso, levando-se em conta o número de pessoas para o serviço.

Zé Caboré e João Guerra, pelos seus desempenhos da profissão de técnicos e eletricista, foram esquecidos, por muitas vezes receberam deles atendimento atencioso e não deram os seus nomes a uma rua ou mesmo a uma viela, mas tem nomes em logradouros da nossa cidade que não se sabe quem foram e nem de onde vieram.

COMENTÁRIOS

Rafael da Fonseca Rocha nasceu em Floriano, filho da dona Lolosa, irmão de Pedro da Fonseca Rocha e fona Dionéia Fonseca Leal. Quando solteiro, morava na praça doutor Sebastião Martins na casa da esquina drfronte à do seu Mundico Castro ( doutor Filadelfo ), funcionário do Banco do Brasil, membro da Loja Maçônica Igualdade Florianense e gostava de jogar futebol. Mudou-se para Brasília e visitava sua terra anualmente.

5/28/2009

O MEU PIAUI



Texto - Rosane Pavam ( Estraído da Carta Capital )



Minha mãe nasceu no Piauí, o que, suspeito, tornou-me rara. Conheci o Piauí de perto. Ninguém na maior parte do Brasil parece saber o que o Piauí é. Mas, na minha infância, ele não tinha mistérios. Era apenas indescritível. Um céu com mais estrelas.


Os colunistas de blog da atualidade, os atores, os filósofos do saber, acham interessante dizer que, com essa enchente terrível, responsável por deixar dez mil desabrigados no estado, o País todo fica com a cara do Piauí. Como se ao Piauí equivalesse a máxima miséria brasileira e como se, ao evocar seu nome no título de uma revista cultural, a ironia pelo contraste estivesse perfeita.


Observo que muitos males ainda pendem do imaginário dos pensadores locais. Antes o Brasil se parecesse com o Piauí. Dizer Piauí é dizer uma utopia que o País não alcança. São pobres lá, antes e agora, como foram e ainda serão os brasileiros em todos os recantos das cidades ricas. Mas são também ricos no Piauí, como poucos suspeitam. As escolas, a arqueologia, a poesia, um cotidiano de profundas marcas.


Outro dia, em uma festa a que compareci, alguém se aventurou ao curioso raciocínio: "Se não conheço ninguém que tenha vindo do Piauí, o Piauí não existe. Não conheço ninguém que tenha vindo do Piauí." Não sei o porquê da sem-cerimônia com relação ao estado de triste sina. Se não conheço ninguém que tenha vindo do Rio Grande do Sul, por acaso ele teria deixado de existir?


Lembrei-me, ao presenciar o exercício dessa complexidade lógico-linguística, que "lugar nenhum" é o significado para utopia. Thomas Morus utilizou a palavra no título de um livro clássico do século XVI. Era um relato ficcional irônico, provando a impossibilidade da vida perfeita. Com o passar dos anos, Morus preferiu que esquecessem o que escrevera e se dedicou, como padre, a condenar os pensadores viajantes.


O Piauí é utópico. E os ironistas sem linha se servem dessa utopia. Minhas férias de verão aconteciam em Floriano, no sul do estado. Férias de quase três meses. O verão que eu passava por lá era inverno para os piauienses, porque chovia. Na cidade piauiense, a terceira do estado, ardente apesar de seu estado invernal de dezembro a março, as lavadeiras tiravam a blusa a céu aberto e passavam sabão nos seios sem se importar com quem as observava. O rio Parnaíba onde lavavam quilos de roupa de encomenda era marrom como o barro. O rio afogava os desavisados, eventualmente paulistanos que integravam o Projeto Rondon. Os cavalos, vez por outra, deslizavam mortos pela forte correnteza e eu assistia a sua última viagem. O sol se punha sobre Floriano, e eu o observava da margem oposta, na Barão de Grajaú maranhense.


A avenida mais bonita dessa cidade dava para o cais, onde se atracava um restaurante flutuante. Era uma avenida não como se entende uma grande via de asfalto urbana. A avenida do cais vinha calçada de pedras. A via séria, principal, era a Getúlio Vargas, que seguia contínua até a igreja dapraça. De noite, a gente jovem andava por ela em círculos.


Sentados na praça, ficavam os meninos a observar os cabelos novos das moças, tirados da novela da Globo, que passavam no estado com atraso de meses. Em pé, alguns loucos, como o juiz que falava "gudnaite!" em respeitado inglês, faziam-se ouvir por trás do terno azul, do chapéu e da bengala. Havia a jovem negra continuamente grávida, alegadamente louca, de chupeta na boca, de nome Ciça. O vigário corria atrás dos casais improvisados atrás da matriz. As missas do padre Pedro eram gloriosas, porque educavam os fiéis. Irmão que casa com irmã, dizia padre Pedro, tem filho sem cabeça nem pé.


Nos anos 70, não havia esgoto na cidade cujo nome homenageava o terrível marechal republicano. As vacas e as cabras andavam soltas na rua e o solmo ía os olhos dos pedestres. Era uma festa quando chovia, porque a água banhava as crianças, que levavam sabão e toalha para a calçada. As casas amplas tinham terreno para galinhas, viveiros de pássaros, goiabeiras e umbuzais. Como não havia encanamento em todas as casas, o banho friou sualmente partia dos baldes retirados de poços. Matava-se a sede com a água de um pote de barro, colhida por meio de concha grande de alumínio. As comadres se sentavam à noite em cadeiras plásticas coloridas trançadas, diante de suas casas. Conversavam porque a televisão encerrava expediente às nove. Enquanto elas atualizavam histórias dos vizinhos e dos fantasmas, nós, as crianças, andávamos de bicicleta até a igreja e o cais, sem medo de bicho papão. Mas nos escondíamos dos adultos quando ocupávamos a garupadas lambretas.


O Carnaval de rua de Floriano era lindo, remetendo a um século anterior. Havia blocos em que nos encaixávamos, aprontando a roupa igualzinha, pelas mãos de habilíssimas costureiras pobres. Os blocos saíam arrumados e os moleques sem dinheiro investiam contra eles com suas bisnagas cheias de xixi e uma porção de tinta. A apoteose ocorria quando todos os blocos se encontravam na tal avenida do cais, dançando ao som de exímios músicos andarilhos, de manhãzinha. Em casa, esperavam-nos o cuscuz de milho com manteiga ou o caldo de mocotó. As mães e tias dormiam.

Há tanto sobre o Piauí entre aquelas coisas recortadas de minha memória que renderia muitas pequenas colunas. Não me cansaria de falar da sabedoria daquela gente em meio à miséria, cercada da imensa luz da noite. No chão de terra batida das casas, naturalmente, os homens se submetiam aos coronéis. Na Piauí dos anos 70, havia duas classes apenas. Os pobres, que sorriam. E os ricos, cuja fortuna, citando Charles Chaplin, nascera deum crime social. Para sobreviver à pobreza, era preciso agregar-se aos ricos.


A miséria no Brasil pode se equivaler àquela piauiense, mas não é a mesma. Quando se vive na favela paulistana ou fluminense a lua não é mais brancado que aquela.

5/26/2009

NOTA DE PESAR


Faleceu, no último dia 24, em Teresina, onde passava por tratamento de saúde, lutando contra um câncer, o funcionário público aposentado, senhor Raimundo Marreiros C. e Silva ( foto ).

Morador da rua do Amarante, seu Marreiros, por muitos anos trabalhou no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) em Floriano e na antiga loja Casa Inglesa.

Desde o comunicado de sua morte por meio dos familiares e dos meios de comunicação locais, muitos amigos dos seus familiares foram prestar suas últimas condolências.

Além de outros filhos, o seu Marreiros era pai da psicóloga Adelina Glória Marreiros.

Fonte: www.piauinoticias.com

TEODORO SOBRAL LANÇARÁ NOVO LIVRO


O nosso amigo e empresário florianense, Teodoso Sobral, depois do grande sucesso de seu primeiro livro FLORIANO DE HOJE E DE ONTEM, lançará até o final do ano o seu próximo trabalho.

Trata-se da história da agência do Banco do Brasil de Floriano, onde conta e relata toda a sua trajetória no contexto do desenvolvimento da cidade que a instituição proporcionou para Floriano.

Teodoro Sobral pretende, ainda, no lançamento de seu novo livro, reunir o máximo de ex- funcionários do banco, para prestigiar esse grande acontecimento.

Acreditamos que essa nova empreitada de Teodoro abrirá portas e será fonte de pesquisas para outras intituições, estudantes e o povo de um modo geral.

5/25/2009

RETRATOS


Outro retrato dos tempos românticos de Floriano, apanhando a estátua do doutor Sebastião Martins e, ao fundo, o pomposo edifício da Farmácia Rocha.

Já não havia mais o coreto, que deu lugar a estátua ( foto ) de Sebastião Martins, as mudanças já estavam acontecendo.

Com o passar do tempo, a praça foi sendo alterada: os bambuais foram capinados, os arvoredos desaparecendo e a paisagem ganhando novos pontos diferentes.

Atualmente, aguardamos a conclusão dessa nova etapa, dessa nova reforma com a chegada da nova sertã. Vamos saber aprender a gostar desses novos tempos e correr atrás do prejuízo.

Foto: Marcelo Guimarães

5/24/2009

RETRATOS


Há um certa paz, uma harmonia e tranquilidade e um sentimento lírico ao nos deparar com esse belo pôr do sol, extraído da inspiração do nosso amigo Agamenon pedrosa.

Podemos relembrar das velhas pescarias e das taínhas exibidas pelos mucurebas de plantão, das bananeiras, das lavadeiras e daquelas nossas descidas espetaculares em câmaras de ar até à torre.

Precisamos conservar isso daí, principalmente com a sua higienização por parte das autoridades locais e tendo o apoio da comunidade em parcerias diversas. Vamos, portanto, manter essa beleza e divulgá-la para o mundo.

5/23/2009

RETRATOS


Voltando ao tempo, podemos observar a praça da Liberdade, reformada ( foto do arquivo do fotógrafo Marcelo Guimarães ); antes havia um parque de diversões para a criançada no barro duro que ali existia.

O tempo foi passando e Floriano foi engatinhando-se para o progresso, diversas administrações municipais deram sua contribuição, umas para mais e outras para menos: no caso daquele horroroso calçadão da rua São Pedro, muito inoportuno para uma cidade que queria avançar para o futuro.

De forma que temos que cobrar das autoridades, no sentido de realmente se trabalhar para a Princesa do Sul, buscando caminhos próprios e com as parcerias necessárias, sem vaidade, briga ou egoísmo.

Floriano precisa retomar seu crescimento e a juventide tem que tomar partido, através de lutas saudáveis para o engrandecimento de nossa cultura. Só assim, juntos, poderemos identificar o que realmente queremos para Floriano voltar a ser feliz.

5/20/2009

PARA O RESGATE DA MEMÓRIA DA CIDADE DE FLORIANO

Pesquisa & Comentários: Nelson Oliveira

Texto: Djalma Silva, o professor e suas memórias

CHUVA! CHUVA!...

O Inverno ia geralmente de dezembro a abril. As chuvas amiudadas ou intermitentes caindo, correndo pelas bicas e biqueiras das casas, encharcando a areia grossa das ruas ou fazendo lama nos terrenos compactos. Nas ruas em declive aconteciam as enxurradas, onde os meninos soltos brincavam. Os vegetais vivificando, estuantes de seiva.

Mas, no entanto, chegava o mês de maio. Os noturnos tinham-se ido. O tempo agora era claro, bonito. Árvores e ervas floridas, alegrando os campos. No firmamento azulado, nuvens leves e brancas como flocos de algodão. No primeiro dia nos tempos recuados de minha infância, as janelas amanheciam enfloradas. Um costume muito bonito, muito agradável, muito gentil, que foi desaparecendo com o passar dos anos. Irrompiam os ventos gerais. Era então chegada a época de empinar papagaio ( pipa ). E de dia os céus se atrelavam de várias cores e tipos.

A temperatura amena, à noite, ia até julho. Chega agosto. E então – era, como disse Veras de Holanda, “ trinta e dois ”:

O sol dardeja e queima.
O sol fuzila.
Num bárbaro calor que as almas aniquila.

Setembro era a mesma coisa. A quentura torrando a vegetação, secando as fontes e pondo modorra nas pessoas e nos animais, mas vinha a chuva dos cajus. As florescências dos cajueiros se transformavam em frutos. E estes logo amadureciam, pintalgando as árvores de amarelo e vermelho. Uma beleza. Nos domingos muita gente e principalmente muito menino iam para os matos buscar cajus e brincar.

A partir de outubro, trovões e relâmpagos, a par de algumas precipitações pluviosas, punham no povo as esperanças de um bom inverno, de fartura, de bem estar. Se, em vez disso, o céu continuasse profundamente azul, isento de nuvens pronunciadoras de chuvas, o vento balançando as copas das árvores, sibilando nos telhados sem forro nas casas, arrepiando a cobertura das palhoças e varrendo o chão, levantando as nuvens de poeira, o povo começava a preocupar-se.

Nos encontros de ruas, na conversa das varandas ou nas portas das casas à noite, a tônica era uma só. O prolongado verão e a expectativa de dificuldades e até de fome.

No silêncio das alcovas as famílias oravam implorando a proteção dos seus santos. Nos subúrbios a gente humilde, em procissão, saía à tardinha para pelos matos com garrafas de água na cabeça rogando a DEUS nos seus cânticos: “ chuva!... chuva!... chuva com abundância! “
...
COMENTÁRIOS EXPLICATIVOS SOBRE O TEXTO

Com Respeito aos papagaios, ou pipas, que eram empinados, o palco era a praça da Igreja – hoje, Sebastião Martins, pelo espaço que possuía uma vasta área, visto que ali só existia mesmo a nossa catedral e se tornava palco dos mais variados tipos de papagaios / pipas e terminava se transformando numa grande festa promovida pelos jovens da época. Dependendo da condição financeira dos empinadores , existiam papagaios / pipas de vários tamanhos e cores, embelezando os céus da cidade. Os instrumentos eram fabricados com pedaços de buriti e papel de seda com tamanho de um metro de altura por um de largura e o seu fabricante era um filho do senhor Celino Miranda, que residia nas proximidades da Igreja Batista, mais precisamente onde está o consultório do doutor Odilon e que atendia pelo apelido “ barata descascada “ em virtude de sua pele muito branca. Como naquele tempo, a criança e o jovem pela educação que recebiam dos pais, tinham ciência dos seus limites e não eram contaminados pela modernidade do mundo de hoje e o papagaio / pipa era, sem dúvida, uma brincadeira sadia que não trazia nenhum prejuízo. Dentre aqueles que tomavam parte da brincadeira, alguns ainda estão no nosso meio, como Chico Pereira e seu irmão Zé Wilson, Fozzi Attem ( in memorian ), Zeca Demes ( residente em Goiás ), Carlos Martins e muitos outros.

O poema intitulado TRINTA E DOIS de autoria de Veras de Holanda, nascido em Caxias, Maranhão, tinha relação com a seca de 32 que assolou o nosso Estado; além de poeta renomado, era professor de vários colégios, inclusive o seu, que era situado na rua Fernando Marques, antes da casa do senhor Abrão Freitas e inspetor de ensino. Veras de Holanda possuía uma vasta cabeleira, como Castro Alves, era casado com a professora de nome Conceição e salvo engano, era irmã da dona Noeme Melo ( in memorian ), mão do doutor Adelmar, Adevan, Adeval, Aldezita, Fátima e outros.

5/19/2009

RELEMBRANDO FLORIANENSES DA GEMA

HUGO VITOR GUIMÃES

Hugo Vítor nasceu em 17-11-1898, em Floriano -PI e faleceu em 16-11-1950, em Fortaleza-CE. Jurista, poeta, genealogista e historiador.

Era filho de José Fernandes Lima Guimarães e Maria Eugênia da Costa e Silva Guimarães.

Diplomado pela Faculdade de Direito do Ceará. Como acadêmico fez parte do Recreio Literário Soriano de Albuquerque.

Foi diretor da revista A Conquista e como literato e jornalista escreveu para os jornais literários do Piauí e do Ceará.

Foi redator e chefe de A Semana, redator de O Nordeste, Correio do Ceará, O Povo, O Estado e Unitário. Foi um dos fundadores da Sociedade Cearense de Geografia e História. Pertenceu ao Instituto do Ceará, à Sociedade Geográfica de Cuba e ao Instituto Heráldico Genealógico de São Paulo.

Floriano Perde um Grande Filho

Floriano - Piauí. 15 - XII - 1950
Pesquisa: José C. de Andrade Sobrinho
(Da Associação Piauiense de Imprensa)

“Hugo Victor falecido, há algum tempo, em Fortaleza, onde residia, quando atingido aos albores da sua juventude, já era uma celebração, que sofria o peso de uma angustiosa situação, num meio de seringalistas, que traficavam com os centros de exploração de euphorbiaceas e apocyneas (borrachas); altamente cotada no mercado de Liverpool, os quis, com muito raras e honrosissímas exceções, fechavam-se neste dilema, de puro materialismo: _ Ganhar dinheiro...

Se um gênero de notícias interessava ao ativo habitante de Floriano, cidade que florescia, isolada pelas distâncias: - A alta de preços de borrachas, couros de boi, peles domésticas, resinas e folhas de jaborandí. E era esse incrível ambiente que torturava a grande alma de Hugo Vitor, debatendo-se, na sua revolta, contra esse misero estado mental, que predominava e o fizera, por sua vez, fechar-se nesta preocupação absorvente: - Sair para viver espiritualmente.

Foi nesse estado de coisas que cheguei a Floriano, vindo de Teresina, onde havia passados quatro anos, mantendo assídua convivência com rapazes esforçados e vontadosos que compunham a turma de estudantes que, então, cursava o velho Liceu Piauiense, vizinho da casa em que eu trabalhava comerciando. Trazia, na cabeça, uma enorme coleção de versos encantadores, de poetas vários, e, num dos primeiros “adjuntos” a que compareci, receitei um belíssimo soneto de que me resultou um sucesso pelo avesso:

- O moço é poeta... Vejam para que ele havia de dar...

E, nesse diapasão, a conversa espalhou-se e passei a ser visto com maus olhos, pela agente da terra, menos por Hugo Vitor que, no dia seguinte, procurava-me e inquiria:
- Soube que recitou um belo soneto na festa de ontem!...

- É verdade... Mas... O meu arrependimento foi completo... Estou desolado... Notei que aqui não se toleram versos, por melhores que sejam...

- O soneto era da sua lavara?

- Não. Nunca escrevi versos. Era de Olavo Bilac.

Pediu-me que o recitasse. Recitei. E, ao terminar, Hugo Vitor agrava-me com efusão, num grande abraço, que era uma consolação misericordiosa para o meu desapontamento. Queria uma copia do soneto e o lhe ditei a copia. E, desde então, acamaradamos.

Logo depois, Hugo Vitor, com a sua imaginação irrequieta, fundou aqui um grêmio literário que, por sua vez, não escapou à crítica feroz do meio, tanto mais amarga quanto provinha de quem absolutamente não tinha autoridade para fazê-la, mas não desanimava.

Mais tarde, perdia a sua digna genitora, Senhora de excelsas virtudes, o vinha perdendo aos penates, e arribou, para não mais voltar a sua terra berço. Antes da partida preocupou-me, narrou as esperanças que o embalavam e aconselhou-me, fraterno:

- Meu amigo, vá se embora daqui. Você não merece ficar num meio que faz a gente emburrecer...
Não pude tomar o seu conselho e, por cerca de 1928, fui encontrá-lo em Fortaleza, em dificuldades, que provieram de inglória luta política no interior do Ceará, sendo, em razão dela, afastados das funções do cargo federal que exercia e que, mais tarde, recuperou galhardamente. E contou-me ter sido convidado par a redação de um jornal, chegado a Maçonaria, bem como a sua resposta decisiva:

- Prefiro morrer de fome, a aceitar o convite para tal redação,

Era inflexível no dogma da sua fé. Herdada a excelente formação moral da sua genitora e era, como ela, católica cem por cento. Uma particularidade o fazia oscilar um tanto, para uma superstição que o preocupava. E contou-me:

- Dias antes do falecimento da Mamãe, os pombos, que eu criava, com desvelada carinho, lá em casa, como que tomados de pânico; voaram e se foram para nunca mais voltar, exceto uma que era, mais ou menos, a mãe da família e que, examinada, verifiquei ter uma asa quebrada, por isso que não se fora também.

E relevando comentários que, então fizera:

- Tia Celé, vai acontecer uma cousa aqui em casa e não será boa... Os pombos se foram por uma vez...

E, de fato dois ou três dias depois da estranha deserção, morria a sua querida Mamãe, Dona Maroca, que era estimadíssima pela população da cidade e ocupava a presidência do Apostolado do Coração de Jesus.

Em 1934, Hugo Vitor abriu-me as portas do Colégio da Imaculada Conceição, ótimo educandário em que fizeram estágios as minhas quatro filha Tancy, Lucy, Jacy e Lisete, que sempre tiveram, da parte dele, um acolhimento quase paternal, prendendo-me, já agora, por imorredoira gratidão, que sinto-me no dever de externar.

O brilhante intelectual piauiense era, como advogado, historiógrafo e jornalista dos melhores, estimadíssimo em Fortaleza, onde várias vezes prestou relevante colaboração na política administrativa do Estado, cuja imprensa já pos em relevo a sua atuação como homem de letras. Portanto, as traços e as particularidades que mal venho expressando, em um preito de homenagem ao meu saudoso amigo Dr. Hugo Vitor Guimarães, quero publica-los como o mais humildade acréscimo ao rosário de lagrimas com que tantas pessoas, de todas as camadas sociais, como eu, formaram um tumulto que o merecia de verdade (...)”

Fonte: Almanaque do Cariri, 1952

NOVO PRÉDIO DA SERTÃ


Esta é a maquete do que será o novo Bar Sertã, um projeto ousado, moderno, onde se faz uma união com o antigo prédio, já demolido recentemente e que nos deixa bastante saudosos.

No entanto, estamos aguardando o retorno da construção dessa nova etapa de revitalização da praça doutor Sebastião Martins,onde a prefeitura tem que nos entregar logo, pois a população de Floriano aguarda com muita ansiedade.

Seria de suma importância se a inauguração se desse agora em julho, dia 8, aniversário de Floriano, com grandes eventos. Esperamos, pois, que as autoridades competentes se pronunciem e nos dêem uma esperança dessa realização tanto esperada pelos amantes da Princesa do Sul.

5/17/2009

RETRATOS


Estávamos dando umas voltas em pleno carnaval deste ano, pelos arredores de Floriano, relembrando algumas coisas e lugares.

Aí na foto, lembramos com saudade daquelas festas maravilhosas que havia aí no Restaurante BR, quando na década de setenta, ninguém perdia aquelas festas de arromba com o conjunto OS IGUAIS.

Hoje, praticamente abandonada, o local aí é explorado vez por outra para atividades ocasionais e não há mais aquela poesia de outrora.

De qualquer forma, precisamos relembrar essas coisas boas, esses fatos que aconteceram naquele tempo, mas com bastante saudade.

5/16/2009

NOTA DE FALECIMENTO


Recentemente, Floriano perdeu um de nossos grandes amigos, que jogava bola no passado pelos campeonatos amadores do futebol de poeira da Princesa.


Sebastião de Tarso Rodrigues, filho de dona Coló ( na foto ao lado, ele é o terceiro da esquerda para a direita ), sentiu-se mal e veio a falecer ( antes do combinado ) do coração aos cinquenta e um anos de idade. O que nos entristeceu bastante.


Tião, mesmo com a aquela sua seriedade, era um cara solícito, sabia conversar bem e orientava sempre aos amigos da necessidade de estarmos cuidando de nossa saúde, praticando esportes, alimentar-se bem etc.


Lembramos dele na escola, mais precisamente do GRUPO ESCOLAR ODORICO CASTELO BRANCO, onde estudamos juntos. Teve até um episódio engraçado, à época, em 1968, por aí, nos primeiros dias de aula, quando o Sebastião tinha pegado o número 24 na chamada e a galera caiu em gargalhadas.


Encabulado, Sebastião jogada duro e, mostrando toda aquela sua moral e categoria, ficava calado, não respondia a chamada, disfarçando o olhar, literalmente.


Os campinhos de Floriano, certamente, ficaram órfãos, mas as lembranças de Sebastião permanecerão para sempre em nossa memória.


5/15/2009

MILTON LIMA REIS LANÇA CD


Milton Lima Reis, empresário do ramo de relojoaria, sempre foi um artista versátil, buscando sempre aprimorar suas habilidades.

Trabalhou em circos como malabarista, é também cantor e compositor, onde sempre se destacou com grande tenacidade.

Na época da Jovem Guarda, participou ativamente dos festivais locais, principalmente no BIG SHOW DOMINICAL, evento organizado pela Rádio Difusora de Floriano no comando de Nazaré Silva e Sidney Soares, ganhando vários troféus.

Recentemente, Milton Lima Reis está lançando seu novo CD ( foto ), onde está divulgando em Floriano e em cidades vizinhas, realizando e participando de shows em geral.

Decididamente, esse artista ainda vai longe, porque ele não se cansa e tem sempre a esperança de galgar o sucesso, buscando a vitória e a felicidade de sua realização como artista.

FESTIVAL DE CALOUROS



O primeiro festival de calouros que aconteceu em Floriano, ocorreu em fins dos anos 1960 (1968), quando a Rádio Difusora de Floriano promoveu um Concurso de Calouros, no Salão Paroquial São Pedro de Alcântara, durante as festividades comemorativas de seu 11º aniversário de fundação. Na ocasião, o título de melhor calouro foi conquistado pelo talentoso jovem, John Júnior ( FOTO ). Era época da Jovem Guarda tempo em que eram também famosos os programas de auditório. Com o fim da Jovem Guarda o Programa de Calouros, também desapareceu.

Nos anos 80, surgiu uma 2ª edição do Programa de Calouros, que reapareceu com o título de Festival de Cantores Estudantis, mas logo depois também foi desativado, permanecendo assim por um período de 8 anos.

A 3ª edição do Programa surgiu com a talentosa dupla de comunicadores rádio, Nilson Feitosa e Renato Costa. Estes conhecendo o gosto do público surgiram empenhados a marcar a história, e reativaram o show, que passou a ser realizado anualmente no estádio Tiberão, com mais conforto e melhores acomodações para o público aproximado de 6.000 pessoas.

O Festival ganhou repercussão e hoje atrai calouros de várias cidades como: Francisco Aires, Oeiras, Rio Grande do Piauí, Canto do Buriti, Guadalupe e Picos no Piauí, e ainda, São João dos Patos e Barão de Grajaú, no Maranhão.

São frutos desses festivais, alguns cantores conhecidos nacionalmente como: Tom Cleber e Francis Lopes. Além destes, há outros talentos revelados, entre os quais: Amauri Barros, Cantor Casa Nova, Danielle, vocalista da Banda Paquera, Franz, Lindalva, a vocalista de Roberto e Banda, Milton Lima Reis, Zé Francisco da Banda Sedução e outros.

Fonte: acervo.floriano/umbelina

5/14/2009

RETRATOS


Extraída do alto do bar do antigo prédio do bar Sertã, observamos a praça doutor Sebastião Martins nos seus anos dourados.

Ainda conservando seus belos arvoredos, era aí que ficávamos olhando nossas futuras namoradas pelos seus arredores.

O tempo foi passando e, hoje, já no futuro, estamos com um novo olhar sobre às alturas de nossos antigos sonhos.

Tudo bem, as coisas mudam e há sempre uma esperança de rever o que deixamos de bom. Floriano continua em sua marcha gigante em busca das melhorias do seu desenvolvimento.

Foto: dos arquivos do fotógrafo Marcelo Guimarães

5/10/2009

RETRATOS DE MÃE!



( Foto: minha mãe MARIA DE LOURDES BATISTA DE MELO )

No dia em que Deus criou as mães (e já vinha virando dia e noite há seis dias), um anjo apareceu-lhe e disse:- Por que esta criação está lhe deixando tão inquieto Senhor?E o Senhor Deus respondeu-lhe:- Você já leu as especificações desta encomenda? Ela tem que ser totalmente lavável, mas não pode ser de plástico. Deve ter 180 partes móveis e substituíveis, funcionar à base de café e sobras de comida. Ter um colo macio que sirva de travesseiro para as crianças. Um beijo que tenha o dom de curar qualquer coisa, desde um ferimento até as dores de uma paixão, e ainda ter seis pares de mãos.O anjo balançou lentamente a cabeça e disse-lhe:- Seis pares de mãos Senhor? - Parece impossível !?!Mas o problema não é esse, falou o Senhor Deus - e os três pares de olhos que essa criatura tem que ter?O anjo, num sobressalto, perguntou-lhe:- E tem isso no modelo padrão?O Senhor Deus assentiu:- Um par de olhos para ver através de portas fechadas, para quando se perguntar o que as crianças estão fazendo lá dentro (embora ela já saiba); outro par na parte posterior da cabeça, para ver o que não deveria, mas precisa saber, e naturalmente os olhos normais, capazes de consolar uma criança em prantos, dizendo-lhe: - "Eu te compreendo e te amo! - sem dizer uma palavra.E o anjo mais uma vez comenta-lhe:- Senhor...já é hora de dormir. Amanhã é outro dia.Mas o Senhor Deus explicou-lhe:- Não posso, já está quase pronta. Já tenho um modelo que se cura sozinho quando adoece, que consegue alimentar uma família de seis pessoas com meio quilo de carne moída e consegue convencer uma criança de 9 anos a tomar banho...O anjo rodeou vagarosamente o modelo e falou:- É muito delicada Senhor!Mas o Senhor Deus disse entusiasmado:- Mas é muito resistente! Você não imagina o que esta pessoa pode fazer ou suportar!O anjo, analisando melhor a criação, observa:- Há um vazamento ali Senhor...- Não é um simples vazamento, é uma lágrima! E esta serve para expressar alegrias, tristezas, dores, solidão, orgulho e outros sentimentos.- Vós sois um gênio, Senhor! - disse o anjo entusiasmado com a criação.- Mas, disse o Senhor, isso não fui eu que coloquei. Apareceu assim...

Autor desconhecido

5/09/2009

RETRATOS


Vejam, que romântico, a praça doutor Sebastião Martins, ainda nos áureos anos sessenta, quando a velha Sertã seria um dos pontos mais atraentes de Floriano.

Os seus arvoredos escondem detalhes significantes, mas dar para observamos, lá no fundo, o antigo Bar São Pedro à direita.

Atualmente, com a reforma da praça, estamos aguardando a construção do novo prédio, mas não se sabe quando será sua inauguração.

Ficaremos, no entanto, matando a saudade, expondo nossos velhos retratos, para matar a saudade daqueles anos saudosos, que os anos não trazem mais.

Foto: dos arquivos do fotógrafo Marcelo Guimarães

5/08/2009

RETRATOS


O nosso amigo e fotógrafo Marcelo Guimarães estava fazendo um roteiro nas águas do velho Parnaiba, quando avistou uma das figuras mais interessantes dessas beiras.

Nada mais, nada menos do que o velho pescador Zé Rubal ( in memorian ) em sua rotina matinal, pescando suas lapas de piaus e mandís.

Lembro-me que esse velho pescador tinha algumas cevas e muitas manias, vigiando o tempo inteiro suas áreas demarcadas, mas, muitas veszes, conseguíamos despistar o velho pescador e invadíamos suas cevas para pegar outros peixes.

Com o tempo, já adoentado, veio a falecer nos anos oitenta, mas muita gente comprava os seus pescados e dizia que tinha pego nas alturas diferentes do nosso Parnaiba.

Histórias de pescadores, certamente!

5/03/2009

ENCHENTES


O Rio Parnaíba estava, ao meio-dia deste sábado (02), 7,22 metros acima do nível normal na cidade de Floriano, sul do Piauí. Segundo a Companhia Hidro Eletrica do São Francisco (Chesf), para transbordar no município o rio teria que superar 8,98 metros.

De acordo com dados da Chesf, vem caindo sensivelmente o volume de água no Parnaíba. Ás 7h o rio estava 7,23 metros acima do normal em Floriano. A vazão caiu de 1.527m³ para 1.522m³.
No boletim divulgado pela Defesa Civil do Piauí, Floriano ainda não registra famílias desabrigadas pelas águas do Parnaíba.

Rios Gurguéia e CanindéA Chesf informa que o Rio Gurgúeia está 2,14 metros acima do nível normal. O limite do rio chega a 4,15 metros. A situação é considerada sob controle.

Situação bem diferente acontece no Canindé. O rio já transbordou. O limite do segundo maior afluente do Parnaíba é de 3,10 metros, no entanto, chegou ao meio-dia deste sábado ao 4,5 metros.

Fonte: Portal Acessepiaui